sexta-feira, 17 de agosto de 2012



Ouço cochichos, eles vem de um diabinho.
Ele é verde, usa corselete de couro e sapatos de camurça.
Tem uma voz suave e cristalina.
Fica andando pela minha mesa quando escrevo e pela
minha cama quando raramente deito para dormir.
Vive pulando dentro do meu copo cheio de Whiskey.
Entenda, esses diabinhos não são como nos, eles 
não respiram o nosso ar, então afundam.
Então... eu tenho que salva-lo, preciso beber rápido todo
o conteúdo do copo, antes que ele morra afogado.
Pois se ele morrer, quem ira ouvir meus lamentos?
Quem ira ouvir minhas reclamações sobre minhas
paixões frustradas?

Eu tenho um revolver calibre 32.
Meu diabinho adora entrar nos cartuchos, para eu dispara-lo
pelos ares, as vezes no carro do vizinho, outras vezes na parede
da casa, e raramente nos ratos que se mudaram para cá.

Ele também vive dizendo para eu colocar o revolver na cabeça 
e atirar.
Entenda, ele não é mal, mas estes diabinhos são peculiares...
Eles vivem fazendo festas regadas a Whiskey e nelas, cada um
carrega seu própio revolver, quando a festa chega ao auge, eles
colocam seus revolveres na cabeça e atiram.
Eles não morrem com isso, apenas ficam tontos e dão cambalhotas.

Talvez eu encontre meu fim numa dessas festas de diabinhos, talvez eu dê 
um tiro na minha cabeça e fique tonto, dando cambalhotas no outro mundo.


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